sábado , 21 julho 2018
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UM POUCO DA HISTÓRIA DO CINEMA DE CONCEIÇÃO, CONTADA POR ALFREDO DE SÁ NETO!




As vezes o tempo parece que pàra. Algumas lembranças não são esquecidas, não fogem e nem saem da nossa mente!

Lembro que na minha Conceição os jovens gostavam de brincar, jogar futebol, de ler e principalmente de ir ao único cinema que existia por lá. O Cine São João de Seu João Nunes era, no meu caso, a diversão preferida.

Na quinta-feira era aguardada a chegada do filme da semana que vinha pelo ônibus da Ipalma, dentro de uma embalagem de metal. Após a chegada do filme, toda sexta-feira seu João Frade fazia a mão dois cartazes, com todos os seus detalhes sobre a película, e o amarrava em dois postes. Um na frente da Prefeitura Municipal e o outro no final da Rua Nova, em frente a farmácia de meu Avô Alfredo Gomes de Sá.

As seis e meia Seu João Nunes ligava a difusora do cinema anunciando a nova projeção ou película, como assim chamava, e a cada semana a segunda parte que era um capítulo da série de Nióca.

Na difusora eram tocadas músicas inesquecíveis de Augusto Calheiros, Nelson Gonçalves, Orlando Silva, Carlos Galhardos e muitos outros. Músicas lindíssimas que até hoje lembro-me das suas melodias e de suas letras. Verdadeiras poesias que o tempo não apaga.

O início da projeção só era iniciado depois que o seu principal assistente da sexta-feira atravessasse a Rua Nova andando com dificuldades, entrasse e se sentasse na sua cadeira cativa no final da fila no lado esquerdo. Era assim o tratamento de Seu João Nunes com Seu Alfredo. O mesmo ocorria no sábado com Seu Antônio Gomes, que só ia para as Queimadas onde residia depois do final do filme. Lembro-me que o mesmo acontecia com Seu Albino Arruda, que morava no Maxixe, por trás do Cemitério.

No meu caso, assistia todo filme quando Elba tomava conta da porta depois de iniciado a projeção – Seu João Nunes subia por uma escada e ficava passando verificando a máquina de projeção, juntamente com Cícero a quem eu chamava de Professor Pardal. Eu ficava por ali puxando conversa e ela abria a porta que denunciava a minha entrada, quando fazia barulho arrastando pelo chão. Um aproveitador de amizade ainda fica rindo até hoje com esses fatos.

Hoje não existe mais cinema em Conceição. A cultura deixou de lado mais essa diversão e fonte de aprendizagem para os jovens.

Em nossa Terrinha não existe uma biblioteca ou alguém que possua livros, como naquela época, que faça com que a juventude se preocupe em aprender alguma coisa diferente das que lhes são ofertadas hoje.

Já pensei em procurar várias pessoas para que se possa fundar uma escola de música e a meninada tenha o prazer que eu tive, estudando música e adquirindo cultura. Penso em algo diferente, não em uma banda de música como a que já existe, mas em uma forma diferente de se descobrir talentos tocando instrumentos nobres como violino, viola e muitos outros instrumentos.

Mas, a minha intenção neste artigo não foi de explodir sentimentos, mas sim, de relembrar os velhos tempos do velho Cine São João de Seu João Nunes, que foi um baluarte neste seguimento, nos ensinando o que significa a nobre arte da representação e da cultura transmitida pelos filmes que projetava para todos nós.

 

Da redação – Alfredo Sá
redacao@conceicaoverdade.com.br

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