quarta-feira , 22 novembro 2017
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Faculdade Maurício de Nassau realiza Fórum de Saúde




Cerca de 100 pessoas, entre estudantes de diversos cursos, professores e funcionários participaram do I FÓRUM DE SAÚDE SOBRE OS DESAFIOS DE UM RELACIONAMENTO SORODISCORADANTE, promovido pela Faculdade Maurício de Nassau da cidade de João Pessoa.

O fórum foi uma iniciativa de um grupo de estudantes do curso de enfermagem desta faculdade, que já estão no oitavo período e foi mediado pelo Psicólogo e Professor Fidelis Mangueira.

Logo no inicio do evento, os participantes fizeram suas inscrições, na entrada do auditório onde aconteceram as palestras.

Para começar o evento, foi formada a mesa, composta por:

– Dr. Fernando Martins Selva Chagas, médico formado pela Universidade de Pernanbuco, com residência em infectologia pelo Hospital Univesitário Lauro Wanderley/ UFPB, farmacêutico pela UFPB, médico infectologista do Complexo Hospitalar Dr. Clementino Fraga.

– Mailza Gomes de Oliveira, assistente social formada pela UFPB, técnica da Gerência Operacional IST/HIV/AIDS e Hepatites Virais, da Secretaria de Educação do Estado da Saúde – PB, assistente social do Complexo Hospitalar Dr. Clementino Fraga.

– Rogério Andrade, formado em enfermagem pela UFPB e enfermeiro no Complexo Hospitalar Dr. Clementino Fraga.

– Edvaldo Fernades de Farias, escritor e Presidente da União Voluntária de Apoio ao Soropositivo – UVAS

A primeira exposição foi do médico, Dr. Fernando Martins Selva Chagas, que falou que sua vida é marcada pela o acompanhamento e tratamento de pessoas que são portadoras de HIV, já que é medico num hospital referencia neste tipo de tratamento. Durante a sua fala ele explicou o que é um relacionamento sorodiscordante, quais os riscos de transmissão do vírus HIV em uma relação desse tipo. Para ele é possivel sim duas pessoas sorodiscordantes viverem bem e felizes.

Muitas vezes pessoas vivendo com HIV tem parceiros que não tem HIV (Estes algumas vezes são chamados por profissionais de saúde como sorodiscordantes ou sorodiferentes). Pode parecer que relacionamentos entre pessoas com status HIV diferentes somente são considerados em termos de sexo e risco de transmissão do vírus.

A segunda fala neste Fórum foi da assistente social Mailza Gomes de Oliveira, que falou que no seu dia a dia lida com pessoas que sofrem com o preconceito por serem portadoras do vírus HIV, que muitas pessoas com relacionamento buscam o hospital para receber orientações de como conviver bem e de modo especial como ter filhos, já que um dos parceiros é soropositivo. Neste caso ela informou que ainda não existe um tratamento para não haver a infecção do parceiro/ parceira, e quem desejar ter filhos pode correr o risco de uma infecção, mas caso aconteça uma gravidez, é possível tratar a gestante para que a criança não seja infectada.

O terceiro expositor foi o enfermeiro Rogério Andrade Barbosa. Ele falou que conhece várias pessoas que tem relacionamentos sorodiscordantes e que o grande desafio é vencer o preconceito e descobrir de ser soropositivo ou não, pois muita gente não sabe que é portador do vírus e que muitas vezes por não saber repassa o vírus, ou não inicia o tratamento. Para ele a chave é descobrir se é soropositivo e assim sendo fazer o tratamento e buscar ter uma vida saudável, pois é possível viver com o HIV, menos com o preconceito.

O último expoente foi Edvaldo Fernandes de Farias, que começou sua fala já dizendo que era soropositivo e que mantinha a 38 anos um relacionamento homossexual com uma pessoa que não é portadora do vírus HIV. Disse que no inicio sofreu muito preconceito, da própria família, amigos e mercado de trabalho. No inicio foi um choque e o seu maior medo era contar para o seu parceiro e como ele encararia isto. Venceu muitas barreiras e hoje precise uma associação de apoio ao soropositivo, com vários livros escritos falando da sua experiência de vida e tudo que passou.

No final do evento foi aberta a palavra para que os alunos fizessem perguntas aos expoentes. Houve sorteios de livros entre os presentes e por último um lanche para os presentes.

Tire suas dúvidas sobre relações sorodiscordantes, então nós decidimos, eu e meu namorado, que é soronegativo, levantar alguns pontos fundamentais para um relacionamento discordante saudável.

1 – Muito diálogo e compreensão.

Em uma relação sorodiscordante, é imprescindível que haja muito diálogo entre as partes. Afinal, estamos lidando não só com saúde física, mas com a saúde mental e social. Seja o motivo que for, sejam claros e transparentes em suas pontuações. Em relação ao medo, ao sexo, às DST, à prevenção, ao relacionamento em si, às intenções da relação.

2 – É preciso acompanhar o estado de saúde do seu/sua companheiro(a).

Acompanhar de perto, à risca, como anda a saúde do seu cônjuge é essencial para um relacionamento sorodiscordante saudável.

Em relação ao soropositivo, é importante que o soronegativo tenha conhecimento sobre como anda a carga viral de seu cônjuge, como o mesmo lida com a doença, quais os impactos sociais que ele está sentindo, como a relação está ou pode estar sendo afetada pela doença, se o cônjuge está fazendo o tratamento direito, qual a importância que ele dá para o tratamento, se existem outros fatores que impossibilitam o tratamento de seu/sua parceir@. É importante também que ambos tenham conhecimento dos efeitos colaterais da medicação, para que possam dialogar sobre uma vida saudável.

Em relação ao soronegativo, é importante que o soropositivo acompanhe de perto se seu/sua parceira faz exames constantes (o essencial é que seja de três em três meses) para as DST e AIDS. É importante que o soropositivo tenha consciência de que eventualmente o soronegativo pode sentir medo ou ter uma crise em relação ao HIV. Portanto, é muito importante que o soropositivo tenha muito diálogo e transparência em relação ao seu estado de saúde, e o modo como o/a parceiro/a encara a doença. Assim como o soronegativo deve ter clareza e conhecimento sobre seu quadro de saúde, afinal não é só a AIDS ou as DST que existem como doenças.

3 – Não é preciso viver com medo de tudo, mas prevenção é fundamental.

Um dos principais erros das relações sorodiscordantes é a perda do medo da doença, e, devido a isso, os parceiros pararem de se cuidar – talvez pela indetectabilidade da pessoa sorodiscordante, ou então, pela falsa impressão de que a doença, nos dias atuais, não mata e/ou não é séria. É preciso o uso de preservativos, lubrificante ou saliva – tipo, muita, se estivermos falando de sexo anal, até pra não doer, né?. Entretanto, não é preciso viver às sombras do medo. Deem à vontade, gozem muito e sejam muito felizes. Sexo protegido, principalmente se a pessoa soropositiva é indetectável, anula em cerca de 96% da chance de contágio. Por isso ressalto a importância de seguir o tratamento direitinho e ambos fazerem exames constantemente.

Importante: Não façam sorologia apenas para HIV. Façam todos os exames para DST possíveis. Os indicados aos soropositivos são Hemograma, CD4 e CD8 (linfócitos – responsáveis pelo sistema imunológico), outras DST, carga viral, etc.
Aos soronegativos, é importante que façam exames de todas as DST possíveis.

4 – Na dúvida, converse.

É importante que o casal tente não trazer para a relação o peso que o HIV pode trazer, tanto de cunho social como individual. E nisso eu ressalto a importância do acompanhamento, principalmente psicoterápico, no CTA. Conversando, tirando dúvidas, “abrindo o jogo” em relação à doença com o/a outro, de modo simples e que tenha como intuito resolver os questionamentos é imprescindível. Dialogar como uma conversa comum, como de fato é – ou deveria ser, ajuda muito a naturalizar a doença, sem banalizá-la. Afinal, não dá pra viver com medo o tempo todo. É importante que esse diálogo parta dos dois. E não unicamente de uma das partes.

5 – Atenção às relações de poder!

Existe, em um relacionamento sorodiscordante abusivo, formas muito cruéis e profundas de relação de poder. Portanto, o respeito mútuo é essencial.

– Jamais usar, em brigas, discussões, termos pejorativos contra o soropositivo – como Aidético, sujo, etc.

– Jamais culpabilizar o outro pela infecção. Lembrem-se, vocês estão numa relação sexual consensual em que ambos optaram por não se proteger, mesmo que para o soropositivo o peso da infecção seja mais para ele, do que para o soronegativo.

E mais uma coisa: ao soropositivo, nunca pense que não haverá outra pessoa que te aceitará por sua condição.

– NUNCA se submeta às ofensas e ataques, e jamais aceite que @ parceir@ te diminua ou te reduza por sua sorologia.

– Ao soronegativo, jamais pense que você esteja em privilégio em relação ao soronegativo. São condições distintas e não existe hierarquia na relação, apenas cuidados distintos que precisam ser tomados, tanto do ponto de vista individual, como social e na própria relação.

6 – Toda relação precisa de cuidado.

Estes métodos são importantes em qualquer relação amorosa, seja sorodiscordante ou soroconcordante negativa ( – – ), ou positivamente (+ +). Afinal, não existe apenas o HIV como doença sexualmente transmissível, apesar de, em termos de cura, ela ser a mais perigosa e exigir mais cautela.

 

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Da redação – Fidélis Mangueira
redacao@conceicaoverdade.com.br

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